terça-feira, 28 de abril de 2009

Muito prazer, meu nome é Ronaldo!!!


Por Henrique Davini

Elias recebe a bola no meio-campo de ataque do Corinthians, carrega com categoria até a intermediária; a sua direita avista um atacante do seu time, por entre as pernas do adversário toca a bola para seu companheiro; ele domina com um leve toque de calcanhar com a perna direita e com um movimento de corpo o zagueiro santista já está completamente desorientado; mais um leve toque com o pé esquerdo e levanta a cabeça, o olho enxerga aquilo que queria. Tum! Com um certeiro toque de genialidade ele bate na bola por cobertura; Fabio Costa já está batido no lance, no meio da grande área. A bola desliza com muita propriedade pelo ar e cai no fundo das redes do gol do Peixe! O goleiro santista olha para trás sem saber o que aconteceu e de repente escuta palavras que jamais esquecerá novamente: “Muito prazer, meu nome é Ronaldo!”

"O Ronaldo fez a diferença. Foi um gol digno de uma partida de Copa do Mundo" (palavras de Pelé, domingo na Vila Belmiro). Bi-campeão mundial com a seleção brasileira, eleito 3 vezes pela Fifa o melhor jogador do mundo, o maior artilheiro da história em Copas do Mundo,... Acho que esta seria só a primeira parte do cartão de visitas de Ronaldo, maior craque do futebol mundial dos últimos 15 anos (opinião do autor), e fundamental para o time do Parque São Jorge na última tarde de domingo, na Vila Belmiro, quando aconteceu o primeiro jogo da grande final do Campeonato Paulista.

O Corinthians foi até a baixada santista e conseguiu o excelente resultado de 3x1 contra o Santos e, agora pode perder por uma diferença de até 2 gols e ainda assim será campeão no próximo domingo (03/05) no Pacaembú. O jogo começou com um ritmo muito bom, o Peixe atacava mais e o Timão retrucava com contra-ataques mortais; e foi em um deles que Fabão derrubou Moraes, falta que Chicão cobrou e depois de contar com uma falha incrível de Fabio Costa, abriu o placar a favor do alvinegro paulistano. O Santos continuou pressionando, e teve até algumas oportunidades que foram anuladas por impedimento de seu ataque (e que são bastante discutíveis), mas parece que a zaga do Peixe não estava muito ligada no jogo; tanto que aos 25 minutos, ainda da primeira etapa, Chicão rouba a bola no meio-campo e lança Ronaldo, que domina a bola de lado e com um movimento de corpo à coloca a sua frente, desorienta a zaga e toca na saída de Fábio Costa, mais uma vez vendido no lance, gol de craque. Corinthians 2 x 0 Santos e mesmo com a pressão santista o placar acabaria assim no 1° tempo. Na etapa complementar o jogo continuou bem parecido, com a diferença que zaga santista parecia ter acordado, parecia! Aos 15 minutos Triguinho bateu cruzado, quase sem ângulo e Felipe, goleirão corinthiano que vinha fazendo uma excelente partida, se atrapalha e empurra a bola para dentro. A partir daí a pressão do Peixe que já era grande se intensificou e tudo indicava que conseguiriam empatar e quem sabe virar a partida; mas o futebol é uma caixinha de surpresas e, como eu disse, a zaga santista parecia ter acordado, mas não acordou! Em um lance espetacular, e que já foi descrito no começo deste ensaio, Ronaldo finaliza o placar na Vila Belmiro, e o Corinthians consegue colocar uma mão e meia na taça do Paulista.

Muito se discutiu desde sua volta aos campos de futebol, alguns disseram que ele não agüentaria mais devido a sua idade, outros acreditavam que seria impossível se recuperar de tantas contusões sérias, outros protestaram devido a sua atual forma física, muito acima do peso que o consagrou o melhor jogador do mundo por 3 vezes. Mas Ronaldo deu a volta por cima e está deixando muita gente sem palavras neste momento. É verdade que sua volta aos gramados deve-se muito a um forte programa de marketing da Nike, sua principal patrocinadora, mas o Fenômeno está provando a cada jogo que tem condições sim de voltar a ser o maior pesadelo das zagas adversárias, e com muito esforço, dedicação e principalmente trabalho já está alcançando bons resultados, tanto que graças a ele, o Corinthians alcançou uma vantagem, neste último domingo, praticamente irreversível e já está quase lá para levantar a Taça do Paulistão. Eu sei, ainda teremos 90 minutos de jogo no Pacaembú, mas vale lembrar que o Corinthians está invicto este ano, e não leva 3 gols em uma só partida já faz muito tempo; a decisão ainda não acabou, mas se Ronaldo jogar como jogou na Vila Belmiro, dificilmente o Santos consegue reverter a vantagem do Timão. O Fenômeno ainda está longe de sua melhor fase, mas não se pode negar que ele é um craque de bola mesmo estando acima do peso e, que da intermediária para frente podemos contar nos dedos de uma só mão quem hoje, é melhor do que ele.

Ronaldo sabe o que faz com a bola; claro que não dá mais para esperar que ele faça gols como àquele contra o Compostela, na qual arrancou do meio-campo e depois de driblar metade do time só teve o trabalho de empurrar a bola para o fundo das redes, mas sem dúvida nenhuma é melhor os treinadores e os próprios jogadores começarem a observar melhor seu desempenho e voltar a respeitá-lo como o faziam em seus tempos de Fenômeno, pois se não fizerem estarão correndo sério risco de ouvir de canto de ouvido aquela frase que serve de titulo para este ensaio: “Muito prazer, meu nome é Ronaldo!”.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Um herói de papel



Por Bruno Gabrieli

A história do futebol sempre foi escrita por capítulos belos e emocionantes, e a passagem que será lembrada nas linhas abaixo não é diferente. Essa história poderia ser tirada de um livro de romances, daqueles que emocionam e faz o leitor querer entrar no livro e mudar o final, mas nesse caso infelizmente o final não pode ser mudado por ninguém, infelizmente...

Mathias Sindelar nasceu na Molrávia, então império Áustro-Húngaro (que iria se desmantelar após a I Grande Guerra) em 10 de fevereiro de 1903. Sua família era de origem judáica e muito pobre, quando ele tinha apenas 3 anos de idade seu pai levou todos para tentar uma sorte melhor em Viena. Em Viena, Mathias era um garoto comum, brincava na rua com outros garotos do bairro humilde onde morava, e como de costume no início do século passado, na Europa, a bola era a principal diversão da garotada. Mas em 1917 uma tragédia abalaria sua família, seu pai morreu durante a I Guerra Mundial, e com apenas 14 anos de idade o garoto Mathias se tornava o "homem da família", tendo que sustentar sua casa com o ofício de mecanico. Desde já a estupidez humana marcara a vida deste homem, e ela também será a responsavel pelo seu trágico fim.

No ano seguinte, 1918, o futebol entra na vida do garoto Mathias. Assistindo a uma partida de futebol do time do seu bairro, Hertha Viena, um jogador se machucou e chamaram nosso personagem para jogar, ele entra, e como se diz na gíria do futebol, acaba com o jogo. Mathias é convidado para jogar no Hertha, time que ele permanece até 1924 quando é contratado pelo principal clube do país, o Áustria Viena.

No Áustria Viena, Mathias encanta a todos com um futebol elegante e muito rápido, seu clube conquista títulos importantes como o Campeonato Autríaco de 1926, e duas Copas Mistropa (percussora da Liga dos Campeões da Europa) em 1933 e 1936. Sindelar era muito franzino e com uma velocidade e elasticidade ímpar ele ficou conhecido como " Der Papierene", "o homen de papel". Mathias jogaria no Áustria Viena até a sua morte.

Seu futebol não tomou conhecimento das fronteiras autríacas, pela seleção do seu país ele fez muito sucesso no time que ficou conhecido como "Wunderteam", time maravilhoso em alemão, comandados por Hugo Meisl, no qual ele era o principal jogador e artilheiro. Sindelar estreiou na seleção contra a Suiça e marcou dois gols na vitória por 7x1 em 1926 aos 23 anos de idade. A partir daí segue uma história de muito sucesso desta equipe, com resultados surpreendentes como: 5x0 na Escócia, 6x0 na Alemanha, 8x2 na Hungria, 4x0 na França e 2x1 na Itália, e foi contra esse adversário que o Wunderteam conheceu seu fim. 

Na Copa do mundo de 1934 a Áustria se classificou para a Copa do Mundo da Itália. Mathias foi o primeiro jogador austríaco a marcar um gol em Copa do Mundo, ao abrir o placar contra a França, partida que os austríacos venceram por 3x2, em seguida veio a Hungria, derrotada por 2x1. A Áustria estava nas semifinais, e foi sorteada para enfrentar a Itália facista de Mussolini, que não mediu esforços para ganhar aquela Copa do Mundo. O jogo terminou 1xo para a Itália, com um gol legítimo de Sindelar anulado e um penalti escandaloso não marcado, também em cima do nosso craque. Esse foi o fim daquele time maravilhoso comandado por Hugo Meisl.




Sindelar continuou atuando pela seleção, que não era mais aquele time de antes, mas ainda possuia grandes jogadores, e o craque ainda ajudou a Áustria a conseguir a classificação para a Copa do mundo de 1938, realizada na França. Mas no início deste ano a Alemanha Nazista incorpora a Áustria, tornando o país uma província alemã. Os principais jogadores austríacos foram covidados a jogar pela seleção alemã, mas Mathias Sindelar se recusa, pois era de origem judia e já sabia das atrocidades que o também austríaco, Adolf Hitler, cometia contra seus semelhantes. Com a recusa, Sindelar começou a ser perseguido e investigado pela SS, polícia nazista. 

Em abril de 1938 a Alemanha organizou uma partida contra a Áustria, que marcaria a despedida da seleção austríaca, o objetivo do jogo era ganhar a simpatia do povo austríaco. Segundo relatos dos jogadores austríacos o jogo deveria terminar empatado, e as autoridades nazistas exigiram que os austríacos facilitassem as coisas, pois o time alemão era muito inferior. Mas no segundo tempo Mathias Sindelar marcou o primeiro gol e comemorou de forma vibrante, aos pulos e berros em frente a tribuna onde estavam os nazistas, que obviamente não gostaram nem um pouco do que viram, e o parceiro de ataque de Sindelar, Sesta, marcou o segundo gol que selou a vitória da Áustria. A partir daí a vida do craque ficou muito difícil, com perseguições e interrogatórios.

No dia 23 de Janeiro de 1939, aos 35 anos de idade, Mathias Sindelar foi encontrado morto em seu apartamento em Viena por um colega de equipe. O corpo dele estava nú ao lado de sua namorada de origem italiana, Camilla Castagnola. As autoridades decretaram sua morte por asfixia, por monóxido de carbono, como acidental. Uma morte dificil de se engolir até hoje, mas infelizmente jamais saberemos os reais motivos e circunstâncias de sua morte.

Em 2003, no centenário de seu nascimento, Mathias Sindelar foi homenagiado sendo eleito o maior esportista austríaco do século XX. Este homem franzino conhecido como " O Homem de Papel", encantou o mundo com sua arte e ajudou a escrever um dos capítulos mais bonitos da história do futebol.


sábado, 25 de abril de 2009

O mais antigo


Por Henrique Davini

No próximo domingo (26/04), na vila Belmiro, teremos o primeiro jogo da grande final do Campeonato Paulista. Santos e Corinthians eliminaram nas semifinais Palmeiras e São Paulo, respectivamente, e farão novamente este confronto que é o mais antigo clássico entre os quatro grandes clubes paulistas.
Ao todo foram 291 jogos, sendo que o alvinegro paulistano leva vantagem no número de vitórias; o Corinthians venceu 117 vezes, o Santos venceu 92 vezes e ocorreram 82 empates ao longo da história do confronto. Apesar da torcida corinthiana considerar tradicionalmente o Palmeiras como o seu grande rival, e atualmente alguns terem o São Paulo neste posto, devido às polêmicas geradas nos últimos anos, o Peixe seria o mais correto para este cargo, já que o confronto entre as duas equipe é conhecida pelo apelido de “Confronto dos Tabus”. O maior tabu de jejum de vitórias sobre um clube brasileiro do Corinthians, é contra o Santos, foram 11 anos sem vencer o Peixe, de 29 de Dezembro de 1957 até 6 de Março de 1968. Na verdade, este tabu conta apenas para jogos disputados no Campeonato Paulista, pois durante este período o Timão venceu 4 vezes o Peixe em outros torneios; mesmo assim vencer apenas 4 vezes um clube em 11 anos incomodou, e muito os torcedores do clube do Parque São Jorge. Já o Corinthians é responsável pela maior goleada sofrida pelo Santos em toda a sua história; em julho de 1920, em plena Vila Belmiro, pelo Campeonato Paulista, o Timão aplicou um inesquecível 11x0 no Peixe, em um jogo marcado pelas reclamações dos alvinegros praianos à arbitragem da partida.
O clássico Santos x Corinthians é o único dos clássicos paulistas que não tem apelido, mas mesmo assim este confronto se apimentou tanto com o passar dos anos, e até uma quase tragédia pode ser registrada em seus anais. Em 20 de setembro de 1964, mal havia começado o jogo, no estádio super lotado da Vila Belmiro (com 32.986 pagantes, maior público registrado até hoje no estádio), quando parte das estruturas de suas arquibancadas caiu, ferindo mais de 181 pessoas (felizmente ninguém morreu), e o jogo foi interrompido na hora. Remarcado para o dia 30 de setembro no Pacaembu, uma quarta-feira à noite, diante de 28 mil pessoas, os alvinegros empataram em 1 a 1 com gols de Flávio para o Timão e Pelé para o Peixe; o Rei, por sinal, ainda perdeu um pênalti, defendido por Heitor. Outro episódio curioso entre estes dois clubes, necessariamente não ocorreu em uma partida entre eles. Após um amistoso entre o Corinthians e Seleção Brasileira (na qual o placar terminou 5x0 para a Seleção sobre o Timão), que ocorreu antes da Copa do Mundo na Suécia em 1958, uma jogada dura de Ari Clemente do Corinthians em cima de Pelé (que teria o tirado inclusive dos primeiros jogos da copa), fez o Rei se irritar tanto que, este teria prometido que o Corinthians jamais seria campeão enquanto ele jogasse. E a profecia se cumpriu: Pelé encerrou sua carreira pelo Cosmos, no dia 1º de setembro de 1977, e o Corinthians conquistaria o Campeonato Paulista 12 dias depois, após 23 anos sem títulos, o maior jejum da história do clube.
O último grande tabu do confronto foi favorável ao Santos (de 30 de Janeiro de 2002 até 13 de Fevereiro de 2005). Foram 10 partidas, com 8 vitórias santistas e 2 empates, por 3 anos o Peixe conseguiu segurar esta vantagem, porém este ano em um jogo realizado no Pacaembu (22/03), pelo Campeonato Paulista, o Corinthians conseguiu uma excelente vitória por 1x0, com gol marcado por Dentinho para o timão.
O jogo de domingo promete muito, pois os dois clubes já construíram uma bela história de rivalidade ao longo da existência do futebol brasileiro. Além disto, bons jogadores compõem os dois elencos e dois grandes técnicos estarão atuando nos bastidores, com suas táticas e artimanhas. Separado de tudo isto ainda poderemos observar um duelo à parte, entre Ronaldo no Corinthians e Neymar no Santos; é o embate de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro e mundial, tido como um “Fenômeno”, porém acima de seu peso ideal, depois de duríssimas contusões e considerado por alguns um “ex-jogador” (não é o meu caso!), contra a juventude de um garoto que ainda não teve tempo de provar seu valor, porém já demonstra requinte e beleza em seu futebol, tido por muitos como um “futuro craque”, e apesar de me parecer um exagero neste momento, já foi comparado com grande jogadores do futebol mundial. Experiência x Juventude!
Com certeza este são bons temperos para o delicioso e apimentado clássico de domingo. O mais antigo clássico do futebol paulista!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Que passa Diego?




Por Bruno Gabrieli

Aos 42 minutos do segundo tempo Didi Torrico com um chute forte de fora da área marcou o sexto gol da Bolívia na Argentina, ali um importante capítulo da história acabava de ser escrito. Essa foi a pior derrota sofrida na história da seleção argentina. 

2009 não tem sido um bom ano para a Argentina, além da vexatória derrota para a Bolívia, os times argentinos estão fazendo um péssimo papel na Copa Libertadores da América. Dos cinco clubes classificados para o torneio (Boca Juniors, River Plate, Lanús, Estudiantes e San Lorenzo), apenas dois conseguiram se classificar para as oitavas-de-finais, e apenas o Boca em primeiro da chave. Lanús, San Lourenzo e River Plate foram eliminados na fase de grupo, e todos antes do sexto jogo, foram eliminados por antecipação.

Em relação a Libertadores da América, talvez o motivo para tantas eliminações precoces sejam a soberba, ou apenas futebol de péssima qualidade? A tão elogiada raça argentina não esteve presente nesta edição do torneio, Lanús e San Lourenzo foram eliminados de forma fria, com derrotas em que os jogadores argentinos não apresentaram nem se quer muita vontade ou sangue quente, algo inédito. Já o River lutou um pouco mais, mas esbarrou em suas crises internas, pois o time não é ruim a ponto de perder a vaga para o glorioso Universidade San Martin.

O fato é que a Libertadores não possui mais aquele abismo de qualidade técnica entre os clubes brasileiros, argentinos e o resto. Brasileiros e argentinos precisam suar a camisa para conseguir classificação, vide os times brasileiros que este ano estão tendo dificuldades para classificar. O São Paulo sofreu para ganhar os jogos em casa, Sport e Palmeiras estão lutando para seguir no grupo da morte, Cruzeiro mesmo em um grupo fraco teve dificuldades. Os craques brasileiros e argentinos estão cada vez mais cedo indo embora para Europa, Asia e Oriente Médio, com isso os clubes de países com dificuldade em montar grandes elencos estão conseguindo brigar em condições de vencer, outro motivo é a evolução técnica e tática dos jogadores e clubes dos outros países sul-americanos.

Em relação as seleções, não é apenas a Argentina que passa por crise, a seleção brasileira também não passa por um bom momento, o nosso técnico é contestado a cada convocação e partida, independente de vitória ou derrota. Dunga não consegue fazer a seleção andar com qualidade e nem agradar a imprensa e torcida. Já nossos hermanos cometeram o mesmo erro que nós, ao colocar um técnico inexperiente no cargo.

Assim como o Dunga, Maradona foi colocado no cargo para resgatar o amor a camisa, aproximar a seleção da torcida, apenas um ídolo deste calibre conseguiria, mas isso é um grande erro. É importante ter um ídolo no cargo, mas é mais importante ter um técnico com capacidade de resolver os problemas e fazer um time jogar um futebol de qualidade. A maioria dos grandes jogadores não foram grandes técnicos, um dado que mostra isso é que apenas dois homens foram campeões mundiais com jogadores e treinadores (Zagallo foi campeão como jogador em 1958 e 1962 e como técnico em 1970, e Beckhanbauer capitão da Alemanha em 1974 e treinador em 1990). Na minha opinião os treinadores de seleções da grandeza de Brasil e Argentina precisam ser técnicos com história na beira do gramado, dirigindo grandes clubes e sendo campeões por estes, pois nos momentos difíceis no comando dos selecionados sua história pode acalmar e dar esperança à opinião pública. 

Só saberemos os reais motivos desta fase ruim que passa o futebol argentino com uma reflexão e análise mais profunda do momento. Mas de uma coisa eu tenho absoluta certeza, ver a Argentina tomar de seis no dia primeiro de Abril e saber que isso não é uma mentira, é uma delicia!!!


quarta-feira, 22 de abril de 2009

O futebol na terra da rainha


Por Henrique Davini

Emocionante! Fascinante! Maravilhoso! Espetacular!

Estes adjetivos já estão se tornando cada vez mais freqüentes quando se fala em Premier League, ou no futebol inglês em geral. Há alguns dias atrás Bruno Gabrieli escreveu um post para este blog se referindo a Tragédia de Hillsborough e como esta afetou as mudanças que transformaram a antiga e ultrapassada Liga Inglesa, na Premier League a melhor e mais lucrativa liga de futebol da Europa, e do mundo por conseqüência.

De terça-feira retrasada (14/04) até ontem (21/04) tivemos pelo menos, três apresentações de gala envolvendo clubes ingleses dentro de campo. São elas:

14/04 – Chelsea 4x4 Liverpool (UEFA Champions League);
18/04 – Arsenal 1x2 Chelsea (Copa da Inglaterra);
21/04 – Liverpool 4x4 Arsenal (Premier League).

No dia 14/04 pelo segundo jogo das quartas-de-final da UEFA Champions League, Chelsea e Liverpool fizeram o melhor jogo do ano, e um dos melhores da história, pela Copa dos Campeões da Europa, com destaque especial para as atuações do espanhol Xabi Alonso pelos Reds e do marfinense Didier Drogba pelos Blues; no sábado dia 18/04, Arsenal e Chelsea fizeram um jogo emocionante em Wembley pelas semifinais da Copa da Inglaterra, na qual o Arsenal vencia até 30 minutos da etapa complementar quando, Didier Drogba novamente desequilibrou a partida em favor do Chelsea, que conseguiu uma virada espetacular e com isto a classificação para a final do torneio; e ontem dia 21/04 em Anfield, Liverpool e Arsenal empataram em 4x4 num jogo repleto de belas jogadas e falhas das defesas (principalmente a do Liverpool), pela Premier League. Destaque para o meia-atacante russo Arshavin, que marcou os 4 gols do time londrino, e é uma das novas promessas do futebol mundial.

Tamanha grandeza não acontece por acaso! Os súditos da rainha realmente investiram pesado na modernização de seu futebol. Estádios novos com tecnologia de ponta, segurança para a torcida e para os clubes, preços acessíveis, sistemas de fidelidade para torcedores e principalmente espetáculos de altíssima qualidade.

Os clubes ingleses, dos últimos anos para cá, se tornaram os mais poderosos do planeta, e não foram apenas os chamados “clubes grandes” que cresceram, times como Manchester City, West Ham e Everton, que possuem menor força no cenário Europeu foram atrás de investidores milionários e podem hoje contar com estrelas de nível internacional em seu elenco como, Robinho e Elano pelo Manchester City, ou jogadores da atual seleção inglesa como Sean Wright-Phillips, Carlton Cole e Lescott; fora o fato de que estes clubes como, por exemplo, o próprio West Ham já foram nos últimos anos a “casa” de jogadores do nível de Carlos Tevez e Javier Mascherano. O futebol inglês cresceu exponencialmente nos anos 90 e hoje sem dúvida é o mais poderoso futebol do mundo, superando ligas milionárias e tradicionais como, a “La Liga” da Espanha e a “Série A” da Itália, respectivamente.

Outra importante característica do futebol inglês é manter, ou pelo menos fazer o possível para manter, os craques ingleses jogando na própria Inglaterra. Atualmente a maioria dos ídolos ingleses atua nos time da rainha (com a exceção de David Beckham que está no futebol norte-americano, mas atualmente está emprestado para o Milan, da Itália) : Gerrard pelo Liverpool, Terry e Lampard pelo Chelsea, Rooney e Ferdinand pelo Manchester United, Owen pelo Newcastle, etc... Além de trazer os grandes jogadores de outra nacionalidade para jogar na sua liga: Cristiano Ronaldo, Fábregas, Gallas, Vidic, Van der Saar, Peter Cech, Pepe Reina, Drogba, Ballack, Xabi Alonso os já citados Robinho, Elano, Tevez, Mascherano, etc... Muitos jogadores que são ídolos em seus países e em suas seleções atuam pela Premier League, o que aumenta ainda mais o prestígio deste campeonato.

Com grandes contratos de patrocínio e uma forte campanha de marketing que ultrapassa as fronteiras da ilha bretã, a Premier League alcança semanalmente recordes de público nos estádios e na televisão. Hoje, sem dúvida nenhuma, podemos dizer que se existe um “Reino do Futebol”, ele é liderado pelos súditos da rainha!

terça-feira, 21 de abril de 2009

A vitória do bom futebol




Por Henrique Davini

Neste último fim de semana tivemos os jogos decisivos das semifinais do Campeonato Paulista; no sábado em pleno Palestra Itália o Santos derrotou o Palmeiras por 2X1 e conquistou sua classificação, já no domingo o São Paulo recebeu o Corinthians no Morumbi e foi derrotado pelo placar de 2X0 para os alvinegros.
Durante toda a partida de sábado o Santos se mostrou superior ao time do Palmeiras tanto tática como tecnicamente. O time comandado por Mancini soube pressionar o time de Luxemburgo em seu campo de defesa marcando a saída de bola palmeirense. Kleber Pereira, Neymar e Madson acuavam os zagueiros e os dois laterais palestrinos de forma que o Verdão era obrigado a sair de seu campo de defesa com chutões para o alto e sem conseguir armar boas jogadas. O meio-campo do Peixe que contava com Paulo Henrique, Germano e Roberto Brum não deu espaço para Diego Souza e Evandro trabalharem, com isto Keirrison ficou isolado no ataque e não pode fazer nada contra uma zaga formada pelos dois paredões, Fabão e Fabiano Eller. Apesar do Palmeiras permanecer mais tempo com a bola no pé durante o 1° tempo, o Santos foi melhor e causava mais perigo a meta do goleiro Marcos do que o ataque verde no gol protegido por Fabio Costa, tanto que aos 17 min. Mádson recebeu uma bola de Neymar, passou por Mauricio Ramos e por Danilo e chutou na saída do goleiro pentacampeão, abrindo o marcador para o Peixe. Após tomar o gol o time do Palmeiras se perdeu em campo e o nervosismo claramente tomou conta dos jogadores que, de qualquer forma tentavam alçar a bola para o sumido Keirrison tentar empatar a partida, o que facilitou ainda mais o trabalho da zaga santista.
No intervalo Luxemburgo resolveu fazer algumas alterações, tirou o volante Jumar e colocou o meia Deivid Sacconi e trocou Lenny, que mal havia tocado na bola pelo paraguaio Ortigoza, tentando dar mais ofensividade ao ataque palestrino. Não adiantou! Logo aos 7 minutos da etapa complementar, Maurício Ramos empurra Neymar na área, o juiz marca pênalti para o Santos e expulsa o zagueiro do Verdão. Na cobrança, Kleber Pereira não perdoou e marcou seu 10° gol no campeonato. Daí para frente aquilo que já estava complicado para o Palmeiras tornou-se impossível que, mesmo com o frango de Fábio Costa no chute de Pierre aos 29 minutos, não conseguiu atingir a frieza necessária para virar o marcador e foi envolvido pelo rápido toque de bola do meio-campo do Peixe. Vagner Mancini ainda modificou seu meio-campo e seu ataque e o Santos já administrava o tempo e o placar quando, Domingos entrou no lugar de Neymar e imediatamente iniciou uma discussão com Diego Souza, o juiz Sálvio Spínola expulsou os dois desencadeando assim uma confusão em campo, na qual Diego Souza agrediu com uma rasteira o zagueiro santista antes de ser levado para os vestiários. Enfim, depois de toda a confusão já não restava mais forças para um apático e ingênuo Palmeiras que novamente deixou o campo do Palestra Itália sob vaias da torcida e sem conseguir alcançar o bom futebol que vinha apresentando no início da temporada.
No domingo, no estádio do Morumbi, a história foi um pouco diferênte dentro de campo, porém o resultado foi o mesmo do jogo de sábado, na qual o time visitante saiu classificado. O São Paulo desde o início do jogo pressionou o Corinthians com ataques que assustaram o goleiro do Timão, mas mesmo assim não conseguiu segurar os rápidos contra-ataques do time de Mano Menezes e perdeu por 2X0. O Tricolor atacou mais vezes que o adversário, porém Washington e cia. não estavam inspirados e a brilhante atuação de Felipe no gol corinthiano, garantiram ao time do Parque São Jorge a manutenção do placar. Além disso, o meio-campo são-paulino não atuou bem e mais uma vez Cristian e Elias comandaram a forte marcação no esquema montado por Mano Menezes.
Muricy Ramalho devido às contusões e suspensões, resolveu entrar com um time mais ofensivo colocando Dagoberto no meio-campo com o intuito de abrir o ferrolho corinthiano, Hernanes voltou a atuar como 2° volante e Jorge Wagner atuou como meia pela esquerda. Porém o Corinthians foi melhor neste setor, onde Cristian, Elias e Douglas praticamente ditaram o ritmo sobre um apático Hernanes e um sonolento Jorge Wagner, que novamente não fez uma boa atuação errando passes simples que algumas vezes armaram perigosos contra-ataques do Timão. Além disto o time do São Paulo tornou-se repetitivo em suas bolas alçadas na área para Washington e Borges, o que facilitou à zaga do alvinegro na marcação. Em contra-partida a zaga tricolor sofria com as rápidas descidas ao ataque de Dentinho, Jorge Henrique e Ronaldo, levando bastante perigo ao gol de Bosco.
O São Paulo tanto atacou e perdeu gols, que aos 10 minutos do 2° tempo, depois de uma falha de marcação no meio-campo tricolor, Douglas abriu o placar para o alvinegro. O time do Morumbi sentiu demais este gol e, 2 minutos depois, Ronaldo arrancou da intermediária em direção ao gol, lembrando muitos seus bons tempos de melhor jogador do mundo, e tocou na saída de Bosco, sem chances para o goleiro tricolor; o Corinthians abria uma vantagem de 2 gols e com isto liquidava a fatura no Morumbi! Depois disto, o time de Muricy parecia conformado com a eliminação, não mostrou nenhum poder de reação e se deixou envolver pelo esquema de Mano Menezes que, a partir daí, só administrou o placar e garantiu com muita propriedade e justiça, pois jogou melhor e com mais dedicação os dois jogos, a classificação para a finalíssima do Paulistão.
O Santos, com a chegada de Wagner Mancini finalmente se encontrou em campo e vem apresentando um futebol digno de um candidato sério ao título. Mancini conseguiu equilibrar o meio-campo santista e dar força ao ataque, além de fazer peças que hoje são chaves no time, como Fabão e Fabiano Eller, voltarem a apresentar o bom futebol na qual foram consagrados no passado. Quanto ao Corinthians, o time vem atravessando desde o ano passado uma fase incrível regada de vitórias e tabus. O timão não perde, com o time titular, há 8 meses e é o único time do país (dentre os que disputam a 1° e 2° divisão do Campeonato Brasileiro) que está invicto no ano de 2009. Mano Menezes vem realizando um excelente trabalho no time do Parque São Jorge que conta com a estrela de Ronaldo em seu elenco além de jogadores como Elias, Cristian e Chicão que apresentam um futebol de primeira linha durante todo o campeonato.
Sem dúvidas podemos esperar para o clássico do próximo domingo na Vila Belmiro, um jogo muito emocionante onde a estratégia dos treinadores e a capacidade de manter-se frio e conciso dentro de campo serão os principais temperos deste é um dos mais apimentados clássicos do futebol brasileiro!!!!!

Primeiros campeões estaduais de 2009




Por Bruno Gabrieli

Neste final de semana tivemos a definição por antecipação de dois campeonatos estaduais. O Sport Recife confirmou a ótima fase que vem vivendo com o comando de Nelsinho Batista. Após empate em 0x0 com o Náutico, o Sport foi campeão do segundo turno e tetracampeão estadual, o time da Ilha do Retiro já havia vencido o primeiro turno. O Náutico foi o vice-campeão, e junto com o Sport assegurou sua vaga para a Copa do Brasil 2010. Já o Santa Cruz e Porto de Caruaru garantiram suas vagas para a Série D de 2009.

Com exatos um ano e quatro meses de trabalho esse é o terceiro caneco que Nelsinho Batista levanta no comando do Sport. Além deste estadual, o de 2008 e a Copa do Brasil 2008, com uma campanha que lavou a alma do torcedor, pois o Sport atropelou na Ilha adversários de muito peso como Palmeiras, Internacional, Vasco e Corinthians. Em sua segunda participação na Libertadores da América o time está indo muito bem, é o segundo colocado do grupo com o mesmo número de pontos que o Colo-Colo do Chile, primeiro colocado. Nesta quarta-feira o Sport recebe o Colo-Colo na Ilha do Retiro e em caso de vitória praticamente assegura a vaga na fase oitavas-de-final da competição. Parabéns ao Sport!

O segundo time a ser campeão estadual por antecipação foi o Internacional que aplicou uma sonora goleada de 8x1 no Caxias, sagrando-se campeão do segundo turno do Gaúcho, como já havia vencido o primeiro turno em cima do rival Grêmio, levou a taça do Campeonato invicto. No ano passado o Internacional também foi campeão estadual com uma goleada de 8x1 no Juventude, principal rival do Caxias. Esses placares demosntram a fragilidade do Campeonato Gaúcho. O Grêmio foi o vice-campeão, e Santa Cruz-RS, Ulbra e Ypiranga de Erechim garantiram suas vagas na Série D de 2009.

Já o treinador colorado Tite, conseguiu uma importante marca no estado, como o primeiro treinador a ser campeão Gaúcho por três clubes diferentes. Em 2000 o treinador levantou o Gauchão  no comando do Caxias (o mesmo que agora ele aplicou a humilhante goleada), no ano seguinte foi campeão pelo Grêmio. Mesmo com essas marcas o treinador não é unanimidade entre os torcedores colorados, primeiro porque ele marcou a história do rival e nunca escondeu ser torcedor do Grêmio, depois pela campanha ruim que o time fez ano passado no Brasileirão.

O Campeonato Brasileiro deste ano é visto como obrigação pelos Colorados, pois este é o ano do centenário do clube, e o Inter ficaria marcado como o primeiro clube brasileiro a ser campeão nacional no ano do seu centenário. E neste ano o título nacional invicto de 79 completa 30 anos, nada como levantar mais um caneco para comemorar.

Teremos essas respostas no Brasileirão que começa em 3 semanas.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A tragédia que mudou o futebol inglês





Por Bruno Gabrieli

Dos últimos 8 times que disputaram as finais da UEFA Champions League, 5 foram clubes ingleses. 
Em 2005 o Liverpool foi campeão em cima do Milan, em 2006 o Arsenal foi derrotado pelo Barcelona de Ronaldinho Gaúcho, em 2007 novamente o Liverpool chegou a final para enfrentar o Milan, mas desta vez saiu derrotado, e 2008 a final foi inglesa, Chelsea e Manchester United fizeram a final onde os Diabos Vermelhos saíram vencedores. E esse ano poderemos ter três clubes ingleses entre os quatro semifinalistas. 

Mas o que isso tem a ver com uma tragédia? Não parece trágico para os ingleses...

Na segunda metade dos anos 80 o futebol inglês estava mergulhado em uma imensa crise, afastado das competições européias devido a outra tragédia que matou 39 torcedores da Juventus em uma partida contra o Liverpool na final da Copa dos Campeões da Europa de 1985. O modelo do futebol inglês já estava atrasado e o campeonato não era um produto lucrativo, pois não haviam jogos de domingo, devido a uma tradição anglicana dos primórdios do futebol no século XIX. Ao mesmo tempo o futebol italiano gozava de todo prestígio, estádios lotados e indices altíssimos de audiência no mundo todo. Outro grande problema que assombrava os ingleses era o Hooliganismo, as brigas estavam completamente fora de controle, mortes nas tardes de jogos, brigas em massa, torcedores enjaulados dentro dos estádios (qualquer semelhança com a realidade que vivemos no futebol brasileiro é mera coincidência).

E essas jaulas que os estádios ingleses se tornaram foram as responsáveis pela tragédia de Hillsborough, estádio do Shefield Wednesday. No dia 15 de abril de 1989 Liverpool e Nottingham Forest jogaríam pelas semifinais da Copa da Inglaterra no estádio. Centenas de torcedores do Liverpool ficaram de fora com bilhetes na mão, pois foram vendidos muito mais ingressos que o limite das arquibancadas, os portões foram fechados e esses torcedores revoltados começaram a força-los até conseguir rompê-lo. Como o jogo já havia começado, os torcedores começaram a se empurrar para entrar no estádio, os torcedores que já estavam dentro, começaram a ser espremidos contra as grades que cercavam o campo, grades muito fortes devido ao hooliganismo. A polícia não entendeu o que estava acontecendo e formou um cordão que não permitia que os torcedores que estavam sendo esmagados saissem dalí. 

Resultado, 96 pessoas morreram ali no gramado e centenas ficaram feridas, foi a gota d'água para as autoridades da rainha. Após a tragédia, Lord Taylor de Gosforth foi designado para fazer um inquérito sobre a tragédia, e chegou a conclusões importantes no que ficou conhecido como "o Relatório Taylor": As grades que separavam o público do gramado foram banidas no país, todo torcedor tinha que ter uma cadeira numerada quando comprava os ingresso, foi o fim das gerais, e outras mudanças foram feitas no modelo de negócio do futebol inglês. Daí nasceu a mais do que bem sucedida Premiere League, um campeonato bem organizado que se tornou referência mundial. 

Se hoje os times ingleses estão obtendo sucesso nas competições internacionais, e o Campeonato Inglês tem os recordes de público e audiência , aquela tragédia que hoje completa 20 anos teve importância crucial para as mudanças. 

Aquelas 96 vítimas não morreram em vão...


terça-feira, 14 de abril de 2009

97 anos do Peixe





Por Bruno Gabrieli

Raymundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Júnior se reuniram na sede do Clube Concórdia para formar um time de futebol. Essa reunião aconteceu no dia 14 de abril de 1912, e ficou decidido que este time iria se chamar Santos Foot-Ball Clube.

Não quero aqui contar toda a história do Santos, pois nesse post seria impossível enumerar tantas glórias do clube que formou o time de futebol mais famoso da história. Vou fazer uma homenagem à essa data importante na história do Peixe, contando aqui uma das páginas mais gloriosas da história do clube. 

Ano de 1963, Santos como o atual campeão da Taça Libertadores da América entra no torneio apenas nas semifinais para enfrentar o Botafogo do Rio de Janeiro. No ano anterior o Santos havia sido campeão em cima do Peñarol de Montevidel, em uma final muito equilibrada que exigiu a realização de um terceiro jogo. Mas voltemos a 1963, a outra semifinal foi disputada entre Boca Juniors e Peñarol, o Boca venceu os dois jogos e se classificou para a final. 

A primeira partida entre Santos e Botafogo foi no Pacaembu, e o placar foi de 1x1. No jogo de volta, o Peixe deu um show de futebol e venceu o Botafogo por 4x0 em pleno Maracanã. Lembrando que o Botofogo possuia um time fantástico com Garrincha, Zagallo, Nilton Santos e companhia. O Peixe estava na final.

A final foi realizada em dois jogos, o primeiro no Maracanã no dia 04 de setembro. O Santos venceu por 3x2 com gols de: Coutinho (2) e Lima, para o Boca Sanfillippo marcou dois tentos. Uma semana mais tarde, no dia 11 de setembro foi realizado o segundo jogo, desta vez na temida La Bomboneira em Buenos Aires.

Estádio lotado, 50.000 argentinos pressionando o time da Vila Belmiro, apenas o empate era suficiente para que o bi campeonato santista fosse assegurado. O Santos e Boca entraram em campo com as seguintes formações:

Santos: Gilmar, Mauro Calvet e Dalmo; Zito e Geraldinho; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula

Boca Juniors: Errea, Magdalena, Orlando e Simeone; Silveira e Rattin; Grillo, Rojas, Menéndez, Sanfillippo e Gonzalez. Técnico: Aristóbolo Deambrosi.

O Jogo foi muito nervoso, desde o começo o Boca pressionou o Santos e bateu demais, Pelé e Coutinho apanharam bastante, mas como era de costume, essa dupla nunca se intimidava com os zagueiros truculentos que enfrentava, muito pelo contrário, se motivava. O centro avante do Boca era muito competente, não à toa Sanfillippo foi o artilheiro da competição com 7 gols, 3 deles marcados nos jogos finais contra o Peixe. E com um minuto do segundo tempo, Sanfillippo abre o placar para o Boca Juniors, pegando um rebote na entrada da pequena área. Com esse resultado um terceiro jogo seria realizado para saber quem seria o campeão daquele ano. Após o gol o Boca continuou a pressionar, pois queria definir o campeonato naquela partida, mas 4 minutos depois, Coutinho, que também fez 3 gols nos dois jogos decisívos, empatou o jogo, o título voltava para a Vila.

Com a pressão do Boca, o Santos se concentrou nos contra-ataques, Pelé continuava a apanhar dos zagueiros argentinos, mas para variar não se intimidou, e aos 37 minutos do segundo tempo recebeu uma bola entre dois zagueiros e girou em cima deles e marcou um golaço, calando a  Bomboneira e liquidando a fatura para o Santos. 
Foi uma vitória espetacular, um jogo muito difícil e histórico para o Santos Futebol Clube, todo santista deve se orgulhar desses dois confrontos, pois não era fácil vencer o Botafogo que, junto do Santos havia sido a base da Seleção bicampeã mundial no ano anterior, e ganhar do Boca Junior em plena La Bomboneira, se hoje é dificil fazer isso, imagine naquela época onde as arbitragens eram duvidosas e a pressão local era quase insuportável. 

Parabéns Peixe!!!



O jogo de dois homens!




Por Bruno Gabrieli

Nesta terça-feira tivemos um dos jogos mais sensacionais dos últimos anos, Chelsea e Liverpool fizeram do jogo de volta das quartas-de-final da Champions League um espetáculo. Vou começar pelo final, Chelsea classificado para as semifinais com um placar de 4 x 4, onde irá enfrentar o Barcelona que também hoje empatou com o Bayern de Munique por 1 x 1 e se classificou após a goleada no primeiro jogo.

E porque o jogo de dois homens?

No primeiro tempo tivemos uma exibição de gala do Liverpool, com um toque de bola envolvente os Reds empurraram o Chelsea para seu campo, muito assustados. Ai que entra nosso primeiro homem, Xabi Alonso, com a ausência de Steven Gerrard, o espanhol assumiu a responsabilidade de criar as jogadas ofensivas do Liverpool, e o fez. Com 27 minutos de jogo o placar apontava 2x0 para o Liverpool (um dos gols dele, Xabi) com uma pressão monstruosa pra cima dos Blues. Nosso segundo homem está em campo, Didier Drogba, mas vou deixa-lo para o segundo tempo. A pressão do Liverpool continuou e em duas oportunidades o gol quase saiu, ao termino da etapa inicial as estatísticas marcavam 65% de posse de bola para o Liverpool, dentro da casa do adversário.

Quem estivesse assistindo ao jogo começou a se ajeitar na cadeira impaciente para assistir o segundo tempo, imaginando que o Liverpool iria pressionar ainda mais e conseguir o gol da classificação, e quem sabe mais. Nos primeiros minutos continuou a pressão dos Reds, e Fabio Aurélio perdeu a oportunidade de cravar o terceiro gol, mas aos 4 minutos nosso segundo homem entra em ação, após jogada de Anelka pela direita, Drogba escora o cruzamento e diminui o placar para o Chelsea. Aos 8 minutos, Drogba cobrou uma falta muito perigosa, a bola passou rente a trave esquerda de Reina. Quase... 2 minutos mais tarde nosso homem sofre uma falta no mesmo lugar que a anterior e Alex, sim aquele do Santos, manda uma bomba e empata a partida.

A torcida londrina ficou eufórica, e a torcida vermelha assustada, assim como o time. Aos 30 minutos Drogba faz outra boa jogada pela esquerda e cruza para o meia Lampard virar a partida. A partir daí, o Liverpool acordou e foi pra cima do Chelsea, mas a essa altura precisava marcar 3 gols para passar para as semifinais. E a pressão do Liverpool deu certo, aos 36 minutos Lucas, ex-volante do Grêmio, empatou de novo a partida com um chute desviado de fora da área, dois minutos mais tarde Kuyt virou de novo para o Liverpool, 4x3. Que jogo.

A essa altura o time de Rafa Benites precisava de apenas mais um gol para se classificar, e tinha cinco minutos mais os acrécimos para se superar. Mas aos 44 minutos Didier Drogba puxou mais um contra-ataque e Lampard empatou o jogo com mais uma bomba de fora da área, que antes de entrar no gol bateu nas duas traves. Golaço!

O jogo foi sensacional, emocionante do início ao fim, além do futebol de qualidade apresentado. No primeiro tempo Xabi Alonso comeu a bola, e no segundo tempo o marfinense Drogba resolveu a classificação para o Chelsea. Esses dois jogadores foram os protagonistas de um dos melhores jogos da história da competição. Obrigado senhores!!! 




O Efeito Ceni


Por Henrique Davini

Na tarde de ontem (13/04/09), em um treino rachão no CT da Barra Funda, Rogério Ceni fraturou o tornozelo após uma disputa de bola com André Lima e ficará afastado dos gramados por aproximadamente por 4 meses. Isto fará com que o camisa 1 do tricolor do Morumbi fique de fora de todo o resto da Libertadores da América deste ano e da fase final do Paulistão, além dos primeiros jogos do Campeonato Brasileiro de 2009.

Com a lesão, a pergunta que fica é, qual será a falta que o goleiro artilheiro fará para a equipe de Muricy Ramalho? Ceni vinha sendo criticado por falhar em alguns lances nos últimos jogos, em especial no gol sofrido na quinta-feira passada no jogo da Libertadores da América contra o Defensor Sporting e em um chute de Douglas, no jogo de domingo contra o Corinthians, em que contou com a sorte da bola bater na trave depois que esta escapoliu de suas mãos.

Não se pode negar que Rogério Ceni é um goleiro diferenciado da maioria, e que apesar de não viver um bom momento, sua importância para o esquema tático de Muricy Ramalho, e do São Paulo, é altíssima para que o time almeje o sucesso em todas as competições que participa. Alguns questionam sua qualidade como goleiro, muito se discute em quem foi, ou é melhor, Ceni ou Marcos, porém Rogério já provou que está além de um guarda-metas comum. O goleiro artilheiro, dentro do tricolor, não atua apenas como um típico arqueiro, aparece como um líbero, às vezes como um segundo volante, armando jogadas do próprio gol para o ataque são-paulino e até como um atacante, quando dispara suas mortais cobranças de falta. Além de tudo isto, o camisa 1 do tricolor também exerce uma presença de espírito dentro do time, como capitão, conselheiro, ídolo, companheiro e amigo.

Agora o São Paulo irá contar com Bosco para defender seu gol, e não duvido de que ele fará um bom trabalho, pois é um goleiro de qualidade. Mas a influência que Rogério Ceni exerce sobre seu time é inigualável no mundo do futebol, e com certeza o tricolor vai sentir sua falta, não só fisicamente, como psicologicamente nos próximos 4 meses. Enfim, Muricy Ramalho terá que encontrar uma maneira de suprir a falta que o goleiro fará em seu time, e rápido, porque domingo é o jogo decisivo da semifinal do Paulista contra o Corinthians e a fase de mata-mata da Libertadores da América está chegando e, com certeza nestes confrontos seus adversários saberão explorar este “efeito Ceni” contra o time do Morumbi.

Agora, o São Paulo terá que provar para todos que é o mesmo papa-titulos respeitado e temido em qualquer competição que participe, com ou sem Rogério Ceni.

domingo, 12 de abril de 2009

A hora do planejamento.


Por Henrique Davini

Neste fim de semana de Páscoa tivemos os primeiros jogos das semifinais do Paulistão 2009. No sábado o Santos recebeu o Palmeiras na Vila Belmiro e venceu o jogo pelo placar de 2x1. Já no domingo, Corinthians recebeu o São Paulo no Pacaembu e, pelo mesmo placar, reverteu a vantagem de jogar por um empate no segundo jogo, que será disputado no fim de semana que vem.

São Paulo e Palmeiras começaram o fim de semana com a vantagem de jogar por dois resultados iguais para avançar á final do Paulistão, porém no meio de semana, ambos tiveram compromissos importantes pela Taça Libertadores da Ámérica. O Palmeiras foi a Recife enfrentar o Sport e conseguiu uma grande vitória por 2x0; já o São Paulo recebeu o Defensor Sporting do Uruguai e, contando com falhas individuais dos zagueiros uruguaios, venceu o jogo pelo placar de 2x1. Mas o que isso tem a ver com os jogos realizados neste fim de semana pelo Paulistão? 

Eu diria que muita coisa. Tanto o São Paulo como o Palmeiras sentiram o cansaço de realizarem duas partidas importantes e difíceis num período menor que 72 horas, e não aguentaram a pressão que seus adversários impuseram como mandantes dos clássicos. Tanto no jogo de sábado na Vila Belmiro, quanto no jogo de domingo no Pacaembu, o que se viu foram times mandantes impondo ritmo de jogo e visitantes jogando nos contra-ataques. O Corinthians com um forte meio de campo formado por Cristian, Elias, Douglas e Jorge Henrique acuou durante boa parte do jogo o São Paulo em seu campo de defesa; Mano Menezes ainda posicionou seus dois atacantes, Dentinho e Ronaldo, à frente da zaga marcando a saida de bola do time tricolor, que muitas vezes se viu obrigado a isolar a bola. No jogo da Vila, o meio campo santista praticamente ditou todo o ritmo do jogo formando um forte esquema ofensivo sobre o time palestrino.

Ainda não está nada decidido quanto aos jogos do fim de semana que vem, tanto São Paulo como Palmeiras tiveram claras chances de ter vencido neste fim de semana, ambos chegaram a estar na frente no placar, mas por disperdiçar grandes chances de gol, acabaram não aguentando toda a pressão dos descançados Santos e Corinthians. Porém chegou o momento onde, Muricy Ramalho e Vanderlei Luxemburgo, terão que decidir qual a verdadeira importância que o título estadual tem dentro de seus planejamentos para o ano. Ambos tem novamente compromissos importantes no meio de semana pela Taça Libertadores da América, o Palmeiras recebe o Sport em um jogo jogo que irá decidir o destino do verdão na competição, e o São Paulo viajará a Medelin na Colômbia enfrentar o Indepediente, já classificado para a próxima fase, porém sem o primeiro lugar no grupo assegurado.

O que fazer agora? Dar prioriodade para qual competição? Poupar jogadores na Libertadores ou no Paulistão? O que será que atormenta mais a cabeça dos comandantes de Palmeiras e São Paulo, ficar fora ou em uma posição incomoda no principal torneio de clubes da América do Sul ou ser desclassificados do maior campeonato estadual do país por seus rivais? Estas respostas estarão guardadas a sete chaves até o próximo fim de semana, e tudo o que nós, torcedores podemos fazer é aguardar e contribuir com aqulo que temos de melhor: esperança e confiança de que, no final sairemos vencedores!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Champions League


Nesta semana tivemos os jogos de ida das quartas-de-finais da Champions League (07 e 08/04). 

Na terça-feira o Porto conseguiu um ótimo resultado no Old Trafford contra o Manchester United. Com o empate o time português leva para casa a vantagem de dois resultados de empate pelos gols anotados na casa do adversários. O jogo foi marcado por um festival de erros dos dois lados, bolas entregues na entrada da área, e erros bobos de posicionamento defensivo. Agora o Porto confia no seu retrospecto de nunca ter perdido em casa para um time inglês para avançar, apesar de nunca ter ganhado em solo inglês também.

Ainda no dia 07, o Arsenal conseguiu um empate contra o Villareal jogando na Espanha. Os Gunners precisam de uma vitória simples ou um empate sem gols para se classificar às semifinais. Vale aqui uma mensão ao golaço marcado pelo togolês Emmanuel Adebayor para o Arsenal, que dominou uma bola no peito dentro da área e deu um voleio no canto esquerdo do goleiro espanhol, um golaço!!!

Nesta quarta tivemos dois resultados surpreendentes. Primeiro a goleada do Barcelona para cima do Bayern de Munique. Os catalões fizaram 4 gols nos alemães ainda no primeiro tempo, foi um show de bola do ateque do Barça, e os bávaros não viram a cor da bola, um chocolate. 
No segundo tempo o Barcelona apenas administrou o placar, e o Bayern não teve forças para descontar, nocaute.

No mesmo horário tivemos talvez o jogo mais esperado desta fase, Liverpool e Chelsea fizeram o quarto confronto nos últimos cinco anos na competição européia. Jogando em pleno Anfield Road os Blues conseguiram uma grande vitória, 3x1 de virada. O Liverpool não conseguiu se encontrar na partida, abriu o placar logo no início do jogo, mas depois foi envoldido com a forte marcação e o toque de bola da equipe londrina.
A situação do Liverpool ficou muito difícil, pois terá que fazer no mínimo três gols em Stanford Bridge para se classificar, penso que esse será o melhor confronto dos jogos de volta, agora é esperar terça que vem...

postado por bruno gabrieli