
Ademir com a camisa do Vasco
Por Bruno Gabrieli
"Dêem-me Ademir e eu lhes darei o título!"
Esta frase foi dita pelo técnico do Fluminense, Gentil Cardoso, à diretoria do Fluminense. E o título veio, mas essa parte da história conteremos mais tarde.
Ademir de Marques Menezes nasceu em Recife no dia 8/11/1922. Começou sua carreira de futebolista no juvenil do Sport Recife, desde cedo já se destacou, e rapidamente subiu para o time de cima em 1938 aos 16 anos de idade. Em 1941 sagrou-se Campeão Pernanbucano sendo o artilheiro do torneio com 11 gols. No final de 1941 esse grande time do Sport foi ao Rio de Janeiro para fazer um série de amistosos contra os grandes clubes cariocas. Queixada, como Ademir era conhecido, devido seu queixo avantajado, chamou a atenção de Vasco e Fluminense, os Cruzmaltinos levaram a melhor e com 800 mil-réis compraram o seu passe.
Mesmo contra a opinião de sua mãe, Otília Menezes, que queria que o filho se formasse no curso de Medicina na capital pernambucana, aos 19 anos o garoto partiu para o Rio de Janeiro para ajudar a escrever uma das páginas mais bonitas da história do Vasco da Gama. No Vasco ele estreiou em março de 1942, Ademir foi muito bem e durante alguns anos o Vasco chegou perto do título carioca, em 1945 o Vasco quebrou a sequência do Flamengo (campeão em 42, 43 e 44) e sagrou-se campeão.
Em 1946, Gentil Cardoso foi contratado para ser o novo treinador do Fluminense, e foi o autor da já mencionada frase: "Dêem-me Ademir e eu lhes dou o título." E foi o que aconteceu, a diretoria do Fluminense buscou o reforço pedido pelo novo treinador, que conseguiu comprir sua promessa. Já no seu primeiro ano pelo Fluminense Ademir comandou o time das Laranjeiras ao título carioca. No ano seguinte o Tricolor não foi tão bem e o Vasco voltou a ser campeão.
Em 1948 Ademir retorna ao Vasco e assim começa uma incrível sequência de vitórias e títulos. Esse time do Vasco ficou conhecido como o Expresso da Vitória, time que começou a ser formado em 1942 e teve eo seu auge no triênio de 48, 49 e 50, com a conquista de dois títulos cariocas, nos quais Ademir foi artiheiro das conquistas, e com o título sulamericano de 1948, segurando o River Plate de Di Stefano, conhecido como La Maquina, mas em outro post eu me dedico ao grande time do Expresso da Vitória, voltemos ao Ademir.

De volta ao Vasco, Ademir se firmou como um dos maiores jogadores da história do clube, sendo o segundo maior artilheiro da história cruzmaltina, sendo ultrapassado quase 40 anos depois por Roberto Dinamíte. Com uma sequência impressionante o Vasco foi campeão carioca em 49, 50 e 52, tendo Ademir como o artilheiro nas duas primeiras conquistas, campeão sulamericano em 48. Pelo Vasco Ademir jogou 429 jogos, marcando 301 gols, uma impressionante média de o,7 gol por jogo.
Esse time do Vasco, junto com o São Paulo de Leônidas, foram as bases da Seleção de 50. O Vasco cedeu para o time de Flávio Costa 8 jogadores, 6 como titulares. Ademir foi o centro-avante da seleção, e durante aquela competição marcou nada menos do que 9 gols, sendo assim o maior artilhilheiro brasileiro em uma única edição de Copa do Mundo, e o jogador brasileiro a marcar mais gols em apenas um jogo de Copa do Mundo, marcou 4 gols na goleada de 7x1 sobre a Suécia.
Pela Seleção Brasileiro Ademir escreveu uma grande história também, sendo Campeão Sulamericano em 1949, Campeão da Copa Rio Branco em 50, Campeão da Copa Oswaldo Cruz também em 1950, Vice-campeão do Mundo e artilheiro em 50 e Campeão Pan-americano em 1952. Em 41 jogos pelo selecionado brasileiro marcou 35 gols, o que lhe confere uma média de 0,85 gol por jogo, uma marca difícil de ser alcançada na Seleção.
Em 1956, Ademir voltou ao Sport Recife e no início do ano seguinte, aos 34 anos de idade, encerrou sua carreira. Questionado por deixar os gramados ainda jovem, ele respondeu: "Larguei o futebol, antes que ele me largasse." Queixada preferiu encerar sua carreira ao seu gosto e não quando o futebol não o quisesse mais, que infelizmente é o que acontece com a maioria dos jogadores de hoje, que não sabem a hora de parar.
A maioria dos vascaínos que viram Ademir jogar, dizem, e não a toa, que ele foi o maior jogador a vestir a camisa cruzmaltina.

Mais uma vez, um ótimo post! A oportunidade de conhecer os grandes jogadores do nosso passado futebolístico é uma experiência muito interessante. São esses nomes que moldaram nosso presente e foram referência para muitos de nossos craques. Além de um grande artilheiro, mostrou-se muito sábio quando decidiu encerrar a carreira, e isso em 1957! Um verdadeiro professor em todos os aspectos do futebol. Parabéns e obrigado Bruno!
ResponderExcluirparabéns pelo excelente post
ResponderExcluirdemoraram pra escrever heim???
Pois é, demoramos mesmo, mas voltamos!!!
ResponderExcluirContinuarei a fazer meus textos de craques do passado!!! Vamos resgatar a história do nosso futebol!!!
Grande abs
Opa, já voltaram bombando: 2 posts!!!
ResponderExcluirObrigado meus caros, grande blog!!!
Taí! Gente que não só me faz mudar alguns conceitos próprios, como me faz gostar de futebol: meus amigos!!!
Nos presenteiam com grandes histórias de pessoasm reais que fazem parte da História dessa nação, heróis dos seus segmentos, pessoas que devem inspirar os que hoje querem ser ou já são astros desse tempo... (parafraseando o Arauto de "Vesperais") um tempo outro que segue na memória.. um tempo que não voltará jamais...
Abraço meus velhos.